CAPEX e OPEX: Quais as diferenças?

por | dez 1, 2021 | Empreendedorismo | 0 Comentários


As siglas CAPEX e OPEX são comuns de serem ouvidas em reuniões, especialmente reuniões corporativas. Mas o que elas poderiam significar e quais são os conceitos e aplicações de ambas?

Elas estão envolvidas, basicamente, com maneiras de adquirir produtos, serviços e realizar contratações, podendo ser consideradas categorias para as despesas empresariais. Dessa forma, CAPEX e OPEX se tornam ideias fundamentais se você quer realizar monitoramento e ter controle maior de seus gastos e da sua empresa.

Entretanto, essas são apenas explicações superficiais, e para conseguir entender com perfeição e aplicar CAPEX e OPEX na sua empresa, é preciso entender as suas diferenças, necessidades e conceitos detalhados de ambos.

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O que é CAPEX e OPEX?

A seguir, iremos te explicar de forma mais completa o que é CAPEX e OPEX, para que você saiba a real definição de ambas e consiga aplicar com perfeição na sua empresa.


CAPEX: o que é?

Também conhecido como capital expenditure, ou despesas de capital, o CAPEX é uma representação dos desembolsos em bens de capital ou de investimentos. Ou seja, os custos de materiais que são usados para a confecção de outros produtos, como materiais de construção, equipamentos e vários outros. Falando de outra forma, o CAPEX é o fundo que será usado para que a empresa amplie sua capacidade de gerar lucros com a ajuda de aquisição de elementos.

Para deixar a explicação ainda mais simples, podemos dizer que ele está diretamente relacionado a compras de bens. As despesas do CAPEX também podem servir para adquirir outros serviços e itens que serão úteis, como um hardware para a empresa. 

É preciso ficar atento ao fato das despesas de capitais também incluírem serviços, e não apenas materiais e produtos. Esses ativos que serão comprados precisam ser um serviço ou produto que melhore ainda mais a capacidade e o trabalho de um setor ou o funcionamento de uma máquina da empresa.

Mas o CAPEX não funciona de forma tão simples, já que o capital expenditure também estará diretamente ligado ao segmento do negócio. Caso o bem adquirido tenha um ano fiscal maior do que a vida útil, a amortização deverá ser o caminho utilizado para a capitalização das despesas, somente no caso de depreciação ou propriedades intelectuais para bens tangíveis. 

O propósito principal do CAPEX será dividir o custo do elemento adquirido pela expectativa de vida útil do mesmo, indicada pelos regulamentos fiscais. No caso de análise de investimentos em projetos, esse mesmo índice será usado como base para calcular o retorno (ROI).


OPEX: O que é?

OPEX também é conhecido como operational expenditure, e se refere às despesas operacionais, sendo pagamentos referentes a vendas de produtos e serviços e às atividades de gestão empresarial. 

Como exemplo, podemos citar uma empresa que compra computadores novos para seus funcionários. Contudo, acaba optando por um serviço que, não só entregará as máquinas, mas também se compromete com o monitoramento, atualização do sistema e capacitação dos funcionários para utilizá-los. É possível até mesmo alugar as máquinas em uma empresa que também oferece a manutenção, se for economicamente mais vantajoso.

De forma resumida, podemos tratar o OPEX como um “aluguel” de prestação de serviços e bens. Os principais custos do operational expenditure são relacionados a gastos consumíveis, manutenção de equipamentos e outras despesas operacionais. Os gastos OPEX são feitos de forma cotidiana, geralmente envolvendo serviços terceirizados.

Um outro exemplo que pode facilitar ainda mais o seu entendimento sobre os gastos OPEX, e mostrar que você o utiliza quase que diariamente, é o caso de serviços de streaming.

De forma geral, você precisa pagar uma assinatura para ter acesso ao catálogo oferecido de filmes, séries ou músicas, dependendo do streaming. Você poderá continuar usando o serviço enquanto realizar o pagamento, mas no momento que você deixar de pagar, o serviço será interrompido.


Os gastos do operational expenditure também são dedutíveis de impostos, caso seja no mesmo ano de sua contratação. Desse modo, é super importante ter um bom gerenciamento de gastos para tentar reduzir o OPEX ao máximo, de forma que não prejudique o nível e a qualidade do serviço da empresa.

No caso das empresas, exemplos comuns de gastos com OPEX que você pode encontrar são: manutenção e reparos; taxas de licença; publicidade; honorários de advogados; despesas de escritório; seguro; taxas e administração sobre a propriedade; gastos com veículos, locações, folha de pagamento, viagens e matérias-primas.

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As diferenças entre CAPEX e OPEX e TCO

capex e opex

Imagem: The 3G4G Blog

Outro ponto que sempre devemos levar em consideração quando falamos de CAPEX e OPEX é o total cost of ownership (TCO), que no português significa “custo total de propriedade”. O TCO é uma forma de comparação de custos indiretos ou diretos em um determinado período de tempo.


O total cost of ownership realiza uma avaliação dos gastos para conseguir identificar o real valor de um determinado item, podendo identificar também o que será necessário para manter o funcionamento do mesmo.

Muitas vezes, o TCO é confundido com CAPEX e OPEX, já que os conceitos podem ser bem parecidos. A melhor forma de entender a diferença entre os três conceitos é através de  um exemplo.

Vamos utilizar uma empresa de eventos para exemplificar o TCO, em muitos locais que os eventos serão realizados acabam não tendo a energia elétrica necessária. Dessa forma, a empresa precisará utilizar um gerador de energia, e a compra desse equipamento já se encaixa como uma despesa de capital.

Além disso, o mesmo gerador também irá custar a mão de obra dos funcionários para que ele possa funcionar perfeitamente, levando em conta a operação, lubrificantes, peças de manutenção, transporte até o local do evento e combustível. Isso tudo forma o TCO, que é nada mais, nada menos que a quantia utilizada para o funcionamento do aparelho. Agora, caso a empresa decidisse pelo o aluguel do gerador, teriam o caso de um OPEX.

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Como calcular cada um dos índices?

As formas para calcular o CAPEX e OPEX podem variar bastante, mas as principais regras para os cálculos de cada uma você confere a seguir.

Calculando CAPEX

No caso do CAPEX, a primeira coisa que você precisa fazer é analisar as modificações que acontecem todo ano nos ativos. Do mesmo jeito, também será preciso contabilizar as mudanças ocorridas nos passivos no mesmo período de um ano.

Após isso, você irá subtrair a mudança que ocorreu ano a ano para poder alcançar o resultado do capital expenditure. Se colocarmos o cálculo em uma fórmula, o resultado seria:

CAPEX = variação dos ativos — variação dos passivos. Essa é uma conta que se refere ao custo de investimento para que possa haver um aumento na possibilidade de gerar lucro para a empresa.

Calculando OPEX

O cálculo do OPEX tende a ser mais simples do que o do CAPEX, já que ele consiste apenas na soma de todas as despesas operacionais que a empresa teve em um período de um ano. Essa é uma conta mais indicada como alternativa para que a empresa consiga reduzir os custos e ainda gerar um aumento de produtividade.


Essa análise também resulta em alguns outros pontos positivos, que são: a flexibilidade do custo aumenta bastante; não há necessidade de descapitalização para manter um valor de caixa com o uso do orçamento em outras finalidades; e também temos a diminuição da necessidade de um financiamento, já que elas acabam sendo diluídas com o tempo.

Tenha em mente que o outro objetivo do cálculo OPEX é achar uma forma de pagamento diferente sobre os serviços agregados. Para isso, a empresa precisa ter uma garantia de que possui todos os recursos necessários, como implantação, monitoramento e assistência técnica. 

Cálculo da diferença

Não é de se estranhar algumas situações que uma empresa precise calcular a diferença entre CAPEX e OPEX. Um erro muito comum nessa conta é a multiplicação da quantia mensal desembolsada em um determinado serviço e a comparação ao valor do equipamento. Este tipo de cálculo ignora completamente os custos indiretos, para que não haja uma interferência na operação.

É preciso ter em mente que neste tipo de situação, toda a infraestrutura será desenvolvida tendo o crescimento como uma perspectiva. Até alcançar o resultado esperado, a companhia terá uma capacidade ociosa, precisando ter uma estimativa dos valores dos possíveis lucros em mente.

A situação ainda poderá ser diferente se estivermos falando de um investimento em TI, já que será preciso levar em conta um tempo médio de depreciação dos equipamentos, que podem variar entre 3 e 5 anos.


Nesse espaço de tempo, você ainda terá que gastar com expansão de atualização, renovação de licenças, possibilidade de descontinuação do equipamento e segurança dos aparelhos. Assim, nos cálculos será preciso levar em conta a mão de obra da equipe de suporte, analistas e técnicos. 

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Qual a melhor metodologia para escolher?

Para definir qual a melhor metodologia para escolher entre CAPEX e OPEX, é preciso levar em consideração várias informações, como as peculiaridades do projeto e o cenário atual de sua empresa. Você precisa conhecer e adequar todos os gastos de sua empresa, tendo um conhecimento super aprofundado sobre os desembolsos com capital.

Vale ressaltar que também é bastante comum que uma companhia seja limitada em relação ao seu total de CAPEX que pode ter acesso, seja essa limitação pelo mercado ou pelos credores privados. Isso pode acontecer especialmente se o mercado estiver passando por alguma crise financeira. 

Devido a isso, a maioria das organizações possuem o costume de direcionar os seus investimentos para outras atividades que podem gerar receita para a empresa. Dessa forma, é comum que haja uma maior preferência outsourcing ou aluguel de recursos e equipamentos ao invés da compra. Essa é uma maneira que poderá evitar a imobilização do capital.


Exemplificando esse tipo de situação, temos o formato Infrastructure as a Service (IaaS), que muitas vezes é adotado pelas companhias. Nele, todas as infraestruturas do seu negócio ficam inseridas na nuvem híbrida ou na nuvem comum, contudo a primeira opção tende a ser mais segura. Além disso, todos os recursos são pagos como serviços e não como produtos.

Esse modelo proporciona a eliminação de gastos com servidores locais, já que passam a ser operados através da nuvem. Entre os maiores benefícios dessa prática podemos destacar: facilidade de manutenção, maior escalabilidade, aumento da portabilidade e da flexibilidade e redução de gastos. No modelo Iaas, todas as despesas de capital são transformadas em operacionais, já que se referem aos serviços na nuvem.

Com base nisso, podemos ver que as diferenças entre CAPEX e OPEX são várias, e a escolha para a sua empresa deverá ser feita levando em conta a avaliação de cada despesa de como elas se enquadram nos objetivos e metas para o futuro crescimento da companhia. Existem três pontos indispensáveis que podem te ajudar a fazer a sua escolha, são eles:

  • Conferir se existe a possibilidade de realizar o projeto necessário com ou sem o investimento imobilizado. O objetivo será definir a possibilidade de usar serviços de terceiros ou se será necessário os investimentos;
  • Com o intuito de avaliar a capacidade de geração de lucro, será preciso fazer uma projeção de lucros, receitas e despesas do projeto. Essa projeção deverá incluir os gastos de fabricação e impostos, gastos com a prestação de serviços e compras ou despesas operacionais;
  • Você deverá ter uma previsão de quanto tempo durará o investimento feito. Para isso, a nossa dica é questionar a meta organizacional da empresa.

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Quando você realiza a avaliação com os dados de custos e receitas, junto de suas projeções, você também acaba interligando esses três pontos citados. Devido a isso, será possível quantificar a Taxa Interna de Retorno (TIR) e o Valor Presente Líquido (VPL) do CAPEX e OPEX. No final, também será preciso considerar o tempo de retorno do investimento, chamado de payback.


Resumindo todos os pontos sobre CAPEX e OPEX abordados até o momento, os principais fatores que você deve ter em mente na hora de tomar a sua decisão são: fluxo de caixa; custos operacionais, de oportunidade e financeiro; economia fiscal; vínculos contratuais; e ciclo de vida do projeto.

Para analisar cada um desses fatores da melhor forma possível, é preciso fazer uma avaliação da estrutura de capital, saber as exigências do mercado para cada tipo de organização, risco do empreendimento, endividamento, situação tributária, imobilização de capital e relacionamento com fornecedores. Quando falamos de forma prática, os impactos das modalidades irão ocorrer por causa de: fluxo de caixa, patrimônio, economia tributária e lucro.

Antes de fazer a sua escolha, será preciso tomar cuidado com a possível vinculação dos dados ao EBITDA – Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization, que no português significa “Lucro Antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização”. É através desse índice que poderemos avaliar quanto a empresa consegue gerar em suas atividades operacionais, sem levar em conta os investimentos financeiros, empréstimos e impostos.

Indo além disso, o EBITDA ainda permite avaliar competitividade organizacional e a eficiência em comparação com a concorrência, especialmente no período de um ano. É por isso motivo que não deve acrescentar o CAPEX no cálculo de fluxo, pois isso irá acabar elevando o indicador de forma artificial. 

Para encerrar, você precisa saber que todas as despesas operacionais precisam ser tratadas como desembolsos de investimentos, e assim não sendo consideradas para o EBITDA. Isso irá garantir que você tenha um valor justo e correto, podendo escolher corretamente entre CAPEX e OPEX sem riscos de perder dinheiro e oportunidades com uma escolha errada.


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E no caso do setor de TI?

Quando comparamos com outros setores da empresa, o setor de TI possui uma diferença. Normalmente, a infraestrutura necessária nesse setor é maior, e ainda temos a possibilidade de computação na nuvem e o OPEX acaba se tornando cada vez mais importante em algumas funcionalidades de TI.

Falando da migração para a nuvem, sabemos que a empresa gastará menos com a compra de hardwares e outros softwares tradicionais, e isso reduz consideravelmente os investimentos em ativos físicos que são despesas a menos a curto prazo e a longo prazo. Essa prática oferece as vantagens de ausência de depreciação do bem de capital.

Como característica da nuvem, temos a escalabilidade e elasticidade, o que oferece maior agilidade para elevação da capacidade do TI de atender as demandas necessárias no negócio. Por outro lado, também é sempre necessário realizar uma análise dos riscos e impactos que uma empresa corre diariamente.

Apesar de todos esses fatores, a escolha entre CAPEX e OPEX irá variar de empresa para empresa e de projeto para projeto, e por isso não devemos analisar os números individualmente. O fato é que, dependendo da situação, você precisará escolher de forma diferente entre CAPEX e OPEX nesse caso do setor de TI. Mas novamente, isso irá depender de suas análises e cenários, não sendo uma regra


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Entidades: ISO

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